<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
	>

<channel>
	<title>Rudinei Borges</title>
	<atom:link href="http://rudineiborges1.wordpress.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://rudineiborges1.wordpress.com</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Sat, 02 Apr 2011 01:02:16 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-br</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.com/</generator>
<cloud domain='rudineiborges1.wordpress.com' port='80' path='/?rsscloud=notify' registerProcedure='' protocol='http-post' />
<image>
		<url>http://0.gravatar.com/blavatar/69582ec87dd281592f268511bc3461cf?s=96&#038;d=http%3A%2F%2Fs2.wp.com%2Fi%2Fbuttonw-com.png</url>
		<title>Rudinei Borges</title>
		<link>http://rudineiborges1.wordpress.com</link>
	</image>
	<atom:link rel="search" type="application/opensearchdescription+xml" href="http://rudineiborges1.wordpress.com/osd.xml" title="Rudinei Borges" />
	<atom:link rel='hub' href='http://rudineiborges1.wordpress.com/?pushpress=hub'/>
		<item>
		<title></title>
		<link>http://rudineiborges1.wordpress.com/2010/10/05/377/</link>
		<comments>http://rudineiborges1.wordpress.com/2010/10/05/377/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 05 Oct 2010 03:43:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rudinei Borges</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rudinei Borges]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://rudineiborges1.wordpress.com/?p=377</guid>
		<description><![CDATA[Rudinei Borges (Itaituba, Pará) é um escritor, poeta e dramaturgo brasileiro. Em 2009, publicou o livro Chão de terra batida (All Print Editora). Filho de migrantes, o escritor paraense morou durante a infância em fazendas nas rodovias Transamazônica e Santarém-Cuiabá, abertas na &#8230; <a href="http://rudineiborges1.wordpress.com/2010/10/05/377/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rudineiborges1.wordpress.com&amp;blog=5451544&amp;post=377&amp;subd=rudineiborges1&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><span style="color:#000000;"><span style="color:#000000;"><strong><a href="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2010/10/copia-de-rudinei-iv1.jpg"><img class="size-full wp-image-417 alignleft" title="copia-de-rudinei-iv" src="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2010/10/copia-de-rudinei-iv1.jpg?w=147&#038;h=129" alt="" width="147" height="129" /></a></strong></span></span></span></p>
<p style="text-align:justify;">Rudinei Borges (Itaituba, Pará) é um escritor, poeta e dramaturgo brasileiro. Em 2009, publicou o livro <em>Chão de terra batida</em> (All Print Editora). Filho de migrantes, o escritor paraense morou durante a infância em fazendas nas rodovias Transamazônica e Santarém-Cuiabá, abertas na década de 1970. Em Itaituba,  participou de grupos de teatro, movimentos sociais e ecológicos. Em 2003, mudou para São Paulo, onde formou-se em Filosofia.  Em 2010,  dirigiu a intervenção cênica <em>Poetas de Vidro</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Para  Carlos Alberto Rodrigues Pereira, mestre em  Literatura Brasileira pela PUC/SP, os poemas de Rudinei Borges possuem uma propriedade peculiar: conseguem nos impregnar da mesma nostalgia de seu autor, como se odores, sabores e outras sensações que percorrem a sua poesia se integrassem às lembranças de cada leitor. Epifanias que eclodem de cenas cotidianas revelam um universo repleto de singelas riquezas, para o qual somos transportados, por força do claro estilo do escritor. A propósito deste estilo, afirma o pesquisador, o rigor de quem procura a palavra exata e a simplicidade derivada da opção por prescindir de efeitos vazios se encontram em medidas precisas na escrita de Rudinei.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong><a href="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2010/10/copia-de-rudinei-iv1.jpg"></a></strong></p>
<p style="text-align:justify;">Por meio de uma prosa memorialista, algo que transita entre o regional e o universal, Rudinei Borges,  apresenta-nos uma revisitação de seu espaço primeiro, no caso, o interior da Amazônia brasileira. Para Edner Morelli, poeta e também mestre em  Literatura Brasileira pela PUC/SP, os poemas e textos de Rudinei guardam uma potencialidade infindável de sugestões poéticas, que vai do tom impressionista-cotidiano à surpreendente reflexão existencial-filosófica. Rudinei cria, ou melhor, re-cria sua própria mitologia, ao recuperar as figuras familiares mais íntimas, os espaços mais longínquos de sua infância-raiz, apontando para um movimento curioso de representação, que abrange o lado interior e exterior do poeta.</p>
<p style="text-align:justify;">Para Edilson Pantoja, romancista e mestre em Estudos Literários pela UFPA, <strong>Chão de terra batida</strong> é um livro mítico. Ele remonta ao barro primitivo para tocar no mistério da gênese. Não da <em>phýsys</em> enquanto mundo objetivo, mas do <em>cosmos</em> subjetivo da poesia de Rudinei Borges. Narrativa em que as principais referências são femininas: a mãe, a vó, a Amazônia, grande ventre do qual aquelas parecem constituir figura.</p>
<p style="text-align:justify;">Rudinei “tem a mão e o pulso do poema, seja ele texto, silêncio, vazio, chão, sangue, rios, árvores ou barro”, comenta o escritor Daniel da Rocha Leite. Para o poeta paranaense Rodrigo Domit, “<em>Chão de terra batida</em> é, como o título já sugere, literatura sem reboco. Não tem rodeios nem rodopios, nem temperos ou condimentos, é literatura pura e simples, crua. Não se trata da poesia teorizada e lapidada para atingir a perfeição, trata-se da perfeição da poesia vivida”.</p>
<p style="text-align:justify;">Para a escritora Lunna Guedes “não há pressa em suas linhas. Os versos cantam a saudade de um tempo distante do nosso. Até parece que não é real”.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Participação em antologias de poemas</strong> </p>
<ul style="text-align:justify;">
<li><em>Antologia do 19 Concurso Nacional de Poesia Helena Kolody</em>. Curitiba: Secretaria de Cultura, 2009.</li>
<li><em>Antologia do II Prêmio Canon de Poesia</em>. São Paulo: Scortecci, 2009.    </li>
<li><em>Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos 57</em>. Rio de Janeiro: Câmara Brasileira de Jovens Escritores,  2009.</li>
<li><em>Poesia de Corpo &amp; Alma</em>. Rio de Janeiro: Câmara Brasileira de Jovens Escritores,  2009.</li>
</ul>
<p style="text-align:justify;"><strong>Participação em antologias de contos</strong> </p>
<ul style="text-align:justify;">
<li><em>Dimensões.BR – Contos de Literatura Fantástica no Brasil</em>. São Paulo: Andross, 2009.</li>
</ul>
<p style="text-align:justify;"><strong>Participação em livros sobre Educação</strong> </p>
<ul style="text-align:justify;">
<li><em>Educar e Aprender</em>. São Paulo: Editora In House, 2009.</li>
<li> <em>Construindo saberes</em>. São Paulo: Editora In House, 2009.</li>
</ul>
<p style="text-align:justify;"><strong>Outros livros</strong></p>
<ul style="text-align:justify;">
<li><em>Bate-papo no gramado: filosofia – razão e emoção</em>. São Paulo: In House, 2008.</li>
</ul>
<p style="text-align:justify;"><strong>Prêmios</strong> </p>
<ul style="text-align:justify;">
<li>Novos e antigos poetas – Secretaria de Cultura – Itaituba, Pará – 1997.</li>
<li>Prêmio  Helena Kolody – Secretaria Estadual de Cultura do Paraná – 2009.</li>
<li>II Prêmio Canon de Poesia – São Paulo – 2009. </li>
</ul>
<p style="text-align:justify;"><strong>Roteiro de vídeo-documentário </strong></p>
<li style="text-align:justify;"><em>Coleção Filosofia</em> – SBJ Produções 2010.</li>
<li><em>Coleção Sociologia</em> – SBJ Produções 2011.
<p style="text-align:justify;"><strong>Contato</strong></p>
<ul>
<li style="text-align:justify;"><a href="mailto:rudineiborges1@yahoo.com.br">rudineiborges1@yahoo.com.br</a>   </li>
</ul>
</li>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rudineiborges1.wordpress.com/377/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rudineiborges1.wordpress.com/377/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rudineiborges1.wordpress.com/377/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rudineiborges1.wordpress.com/377/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rudineiborges1.wordpress.com/377/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rudineiborges1.wordpress.com/377/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rudineiborges1.wordpress.com/377/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rudineiborges1.wordpress.com/377/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rudineiborges1.wordpress.com/377/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rudineiborges1.wordpress.com/377/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rudineiborges1.wordpress.com/377/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rudineiborges1.wordpress.com/377/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rudineiborges1.wordpress.com/377/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rudineiborges1.wordpress.com/377/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rudineiborges1.wordpress.com&amp;blog=5451544&amp;post=377&amp;subd=rudineiborges1&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://rudineiborges1.wordpress.com/2010/10/05/377/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/ebf6dafc4b3e1d0cb6ad18f5fc494c28?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">rudineiborges</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2010/10/copia-de-rudinei-iv1.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">copia-de-rudinei-iv</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Entrevistas</title>
		<link>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/altar-2/</link>
		<comments>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/altar-2/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 02:04:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rudinei Borges</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas do livro Chão de terra batida]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia amazônica]]></category>
		<category><![CDATA[Rudinei Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Texto de Rudinei Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Poema "Altar" de Rudinei Borges]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://rudineiborges1.wordpress.com/?p=310</guid>
		<description><![CDATA[[Fotografia por Regiane Borges] [Barco abandonado em Itaituba, Pará] [25 de dezembro 2010] NOVOS LIVROS ON LINE – PORTUGAL Fevereiro 2011 1. O que representa, no contexto de sua obra, o livro “Chão de terra batida”? R: O livro “Chão &#8230; <a href="http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/altar-2/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rudineiborges1.wordpress.com&amp;blog=5451544&amp;post=310&amp;subd=rudineiborges1&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/altar-colagens.jpg"></a></p>
</blockquote>
<div>
<div style="text-align:justify;">
<blockquote><p><strong><img src="http://aruasetima.files.wordpress.com/2010/12/dsc05412.jpg?w=332&#038;h=186&#038;h=186" alt="" width="332" height="186" /></strong></p>
<pre>[Fotografia por Regiane Borges]
[Barco abandonado em Itaituba, Pará]
[25 de dezembro 2010]</pre>
<p><strong>NOVOS LIVROS ON LINE – PORTUGAL</strong></p>
<p><strong>Fevereiro 2011</strong></p></blockquote>
<p><a href="http://aruasetima.files.wordpress.com/2009/07/1342704001_01459d1044.jpg"></a></p>
<p><strong>1. O que representa, no contexto de sua obra, o livro “Chão de terra batida”?</strong></p>
<p><img class="alignleft" src="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/adc3a9liapradoerudinei.jpg?w=150&#038;h=118" alt="" width="150" height="118" />R: O livro “Chão de terra batida” [All Print Editora], publicado no Brasil em 2009, é uma espécie de livro-princípio, livro-batismo: quando as palavras tecidas estão grafadas como poesia-prosa nas páginas de um livro, como marca, cicatriz, ferida que não sára. Ferida rara, sagaz. Reuni a síntese do que é sagrado em minha história, a minha gente, a minha floresta: a Amazônia-mãe. Mas tudo em “Chão de terra batida” difere-se das outras máscaras que vivem em mim: ali fui terno, o menino do beco, do cais, da rua. O filho de uma mãe-morena, mulher da terra. Os meus outros momentos são urbanos, são noites de desespero e dor profunda: procura interminável por Deus e pelo sentido das coisas. Escrevi um livro de poesia que ainda não publiquei, um livro anterior ao “Chão”, trata-se do “Livro da Embriguez” [2006-2008]: lá sou outro: cortante, seco, bêbado, amargo. O que escrevo atualmente converge com a minha vida em São Paulo, cidade imensa, cidade-madrasta. Neste momento não é possível ser bom. Já a floresta é mãe, é rede e balanço. “Chão” é o meu instante de paz, o meu quintal.</p>
<p><strong>2. Qual a ideia que esteve na origem do livro?</strong></p>
<p>R: Os poemas-prosa-verso de “Chão de terra batida” são textos que ficaram na gaveta desde 2003, logo quando mudei para São Paulo. São fragmentos da infância na Amazônia brasileira. Não ia publicá-los. Eu os considerava muito pessoais: a voz de uma criança que falava. Mas quando retornei para o interior da floresta, em dezembro de 2008, vi o Rio Tapajós, afluente do Amazonas; a minha cidade, a minha mãe, a minha família. Nasceu uma saudade grande nas minhas mãos. O livro veio com o desejo impossível de tornar eterno aquele instante, aquilo que era só meu. Penso que o livro “Chão de terra batida” tem o peso da voz dos mestres, dos poetas-guias. Não pude escapar de minhas influências para escrever. Manoel de Barros, Mário Quintana, Manuel Bandeira e Adélia Prado, poetas brasileiros, estão lá. Talvez eles me ajudem a proferir a palavra-poema com a minha própria voz. O livro não aconteceria sem a leitura destes poetas.</p>
<p><strong>3.  Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?</strong></p>
<p>R: Vivo labutando com um romnce, “O Terceiro Testamento”, mas ele escapa, foge de mim. Sempre que começo acabo por envolver-me com outro projeto. Terminei uma pequena peça de teatro, “Memorial do Cais”. É a primeira experiência em dramaturgia que eu realmente consegui terminar o texto. É uma peça para atores-narradores. Agora, estou escrevendo um poema grande [fato estranho em nosso tempo]. Um poema longo, confessional: a síntese do que fui até agora neste mundo. É a minha preciosidade. Um dia vou publicá-lo. Penso que será um poema de 50 páginas. Que a paz e o desespero me ajudem a terminá-lo.</p>
<blockquote><p><a href="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/altar-colagens.jpg"><img title="Altar Colagens" src="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/altar-colagens.jpg?w=293&#038;h=400" alt="" width="293" height="400" /></a></p>
<p><strong>O VERSO É MEU OFÍCIO</strong></p>
<p><strong>Novembro 2009</strong></p>
<p><a href="http://aruasetima.files.wordpress.com/2009/07/luzes20e20cores20na20cidade.jpg"></a><strong>[Entrevista por Cristina Lima]</strong></p></blockquote>
</div>
<div style="text-align:justify;">Em 2009, o poeta e escritor paraense Rudinei Borges, que atualmente mora em São Paulo, publicou o seu primeiro livro de poesia, Chão de terra batida. Numa entrevista concedida via e-mail, Rudinei conta como a infância no interior da Amazônia influencia a sua criação poética. Acompanhe os principais momentos da entrevista.</div>
<p style="text-align:justify;"><strong><img class="alignleft" src="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/s6302455.jpg?w=150&#038;h=113" alt="" width="150" height="113" />Cristina Lima -</strong> Apresentação, poema que abre o seu primeiro livro, Chão de terra batida, inicia com o verso que diz “Eu nasci no mato, Joana”. Na parte final do livro em um texto que você nomeou de Autorretrato há outra vez esta afirmação, “sou um poeta do mato”. Por que esta fixação pelo mato? Qual o significado do mato ou da floresta em sua poesia?</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Rudinei Borges -</strong> Não diria que há uma fixação pela imagem do mato. Mas, em verdade, há um itinerário a ser percorrido em meu primeiro livro e ele parte do tema da infância. Quando recordo os primeiros anos de minha vida, o que tenho guardado na memória são imagens da mata amazônica, da simplicidade do cotidiano, da figura materna e da imensidão das águas. Na Amazônia os rios são imensos. O mato talvez signifique o lugar primeiro. O que Barcherlad chama de poética do espaço. É onde nasci e de onde vim. Quando afirmo que sou um poeta do mato não estou delimitando o meu espaço, mas reconhecendo a minha própria origem. Tenho textos e poemas que evocam uma realidade absolutamente urbana, como a vida em uma cidade cosmopolita como São Paulo. No entanto, o meu chão primeiro, a minha manjedoura, é o interior do Pará. E eu quis que o meu primeiro livro fosse impregnado desta saudade do mato, da floresta. É quase como uma tentativa de fundir e confundir a infância com o local onde ela aconteceu.</p>
<p style="text-align:justify;">C. L – Então, conte-nos sobre a cidade onde você nasceu.</p>
<p style="text-align:justify;">R. B. – Eu nasci em Itaituba, cidade do oeste do Pará. Costumo enfatizar que fica às margens do Rio Tapajós, porque é um lugar muito bonito. Nasci na cidade, porém logo fui levado para o interior. Vivi na Rodovia Transamazônica e na Santarém-Cuiabá. A minha mãe foi caseira de sítio, cozinheira de fazenda. Itaituba foi e ainda é um município muito grande. Deve ter uns cem mil habitantes. Em geral, é possível conhecer boa parte das pessoas. Foi um lugar famoso pela exploração de ouro. Cresci ouvindo histórias de garimpeiros. Vi mulheres criando os filhos sozinhas, enquanto os maridos desejavam a riqueza no Alto Tapajós. Creio que o ouro não deixou riqueza nenhuma para a cidade. Só a poluição ocasionada pelo uso de mercúrio na extração daquele metal. Os meus pais são migrantes e foram para o Pará com a abertura da Tranzamazônica. Foram acompanhando os meus avós e lá se conheceram. O que acho interessante é que o migrante é sempre tomado de esperança, ele acredita que o lugar para onde vai será melhor. Nem sempre é assim. Alguns chamam a estrada inaugurada pelos militares, que até hoje não foi pavimentada, de Transamargura. Um apelido bem apropriado, eu acho. A vida não é fácil naquela parte do Brasil. Penso que o fato de a estrada não ser pavimentada propiciou que eu guardasse uma lembrança, um sentimento forte pelo barro. Na transamazônica há atoleiros gigantescos. Num dos meus versos eu escrevo: “no norte do Brasil há casa de barro em ruas de barro”. Outra vez tento fundir as imagens. As ruas de barro e as casas de barro são a mesma coisa. E termino com “um dia vi Deus empinando pipa”. O que percebo agora ao falar com você é que apesar de um provável cotidiano sofrível eu mantenho as mesmas esperanças do migrante. Tenho a impressão que em Chão de terra batida o cotidiano é cantado com certa ternura. De certa forma eu acredito no cotidiano. O cotidiano da pequena Itaituba e de todas as cidades muito me interessam.</p>
<blockquote><p><a href="http://aruasetima.files.wordpress.com/2009/07/itaitubacorrigida_tif.jpg"><img title="itaitubacorrigida_tif" src="http://aruasetima.files.wordpress.com/2009/07/itaitubacorrigida_tif.jpg?w=300&#038;h=188&#038;h=188" alt="" width="300" height="188" /></a></p>
<pre>[Itaituba - Primeira metade do século XX]</pre>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">C. L – Quando você veio para São Paulo?</p>
<p style="text-align:justify;">R. B. – Eu mudei para São Paulo nos fins de janeiro de 2003. Tenho este hábito de usar a expressão “fins”. É uma quase certeza de que o fim nunca é um só. Há vários, então. Como deve haver inúmeros começos. Como comentei, eu cresci numa cidade pequena e cresci com o desejo de conhecer outras cidades. Por alguns anos, como muitos jovens, nutri um forte anseio de ir para lugares distantes. Queria viajar pelo mundo. Acho que tem algo haver com a leitura que fiz do diário de viagem de Ernesto Che Guevara ou com a vida de Rimbaud. Aliás, Rimbaud sempre me fascinou muito. Ele também veio do interior como eu. Porém, ainda não alcancei o mundo. O máximo que consegui chegar foi em São Paulo, que é um universo enigmático. Tenho vontade de deixar tudo e partir para uma viagem Brasil a dentro, Amazônia a dentro. Partir numa caravana como fez Mário de Andrade. Descer o inferno, como Drummond chamou a viagem de Mário. Um dia vi num livro uma foto de Mário de Andrade no porto velho de Santarém. Era uma fotografia antiga. Eu queria ser como aquele poeta que viajava atrás das raízes de seu país. Queria ser como o poeta que escreveu Macunaíma. Quando cheguei em São Paulo fui visitar o túmulo de Mário como um filho perdido que visita o pai distante. Senti alguma emoção. Engraçado, não escondo que sou guardador deste envolvimento familiar com as coisas. Lembro que certa vez peguei um caderno e fui perguntar para a vó o nome de todos os nossos parentes. Queria saber tudo. O nome de todos. Sou uma espécie de filho agarrado-desgarrado. Pareço distante, mas ao mesmo tempo ligado às minhas raízes. Preciso dizer que antes de vir para São Paulo, eu morei um ano em Santarém. Logo completei dezoito anos e terminei o Ensino Médio, em 2001, eu saí de casa. Em São Paulo me formei em Filosofia, comecei a lecionar e atualmente sou mestrando em Filosofia da Educação na Universidade de São Paulo – USP.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft" src="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/arrebolitaituba.jpg?w=250&#038;h=166" alt="" width="250" height="166" /></p>
<p style="text-align:justify;">C. L. – Você gosta de São Paulo?</p>
<p style="text-align:justify;">R. B. – Gosto de Sampa. Por vezes, sinto certa aflição. É como se eu sentisse a cidade encravada dentro de mim. Preciso olhar o mar e os rios. O que é mais difícil é que não há um rio como o Tapajós na cidade de São Paulo. Por um tempo, eu achava inadmissível uma cidade que não fosse às margens de um rio. As cidades que são referências para mim estão localizadas às margens de grandes rios, como o Amazonas. Falo de Itaituba, Altamira, Santarém e Belém. Falo de Alenquer, Oriximiná, Óbidos e Monte Alegre. São todas cidades paraenses. Eu só conheci o mar em 2003. Faz pouco tempo. O meu mar era o Amazonas. São Paulo é um mundo misterioso de casas, edifícios, pontes, avenidas e pessoas diferentes. Inusitadas. Você olha para um lado e para o outro e ainda não conhece nada. Lembro que o que mais me impressionou no centro foi o Viaduto do Chá. Até hoje não sei as razões. O Viaduto do Chá esconde uma espécie de magia que eu não entendo. Juro que não entendo. Quando quero me sentir bem e em paz ando por ali. Atravesso o viaduto, contemplo o Vale do Anhangabaú e o Teatro Municipal. É um sentimento sem explicação. Muitos falam e têm razão: tudo acontece em São Paulo. A vida cultural é o que mais me anima. É possível conhecer poetas e escritores. É possível ir às peças de teatro mais experimentais. Tenho uma ligação forte com o teatro. E quando vejo o encontro de teatro e poesia sinto grande alegria. Em Itaituba, eu atuava em performances com poemas na escola, na igreja e até nas praças. Em São Paulo fiz por um tempo o curso do Teatro Escola Macunaíma, mas depois tranquei por falta de dinheiro. O teatro é um sonho que não consigo alcançar. Ora fica perto e ora está distante. Diante destes percalços, prometi que vou escrever peças de teatro, que vou manter uma relação com o teatro de algum modo. Penso que eu escolhi o teatro, mas o teatro não me escolheu. Gosto de atores como Gero Camilo, Marat Descartes. Eles nem sabem que eu existo, mas gosto do trabalho deles. Certa noite, em 2008, vi uma peça em que atuava a atriz Juliana Galdino. Meu Deus, aquilo me levou a uma sensação do sublime que eu nunca havia experimentado. Voltando aos poetas e escritores, deixa-me confessar: desde a adolescência esperava conhecer os poetas Ferreira Gullar e Adélia Prado. Como também o meu mestre, Thiago de Mello, e o poeta Manoel de Barros. Conheci três deles. Faltou o Manoel de Barros. Sou da Amazônia, entretanto foi em São Paulo que pude conversar com o Thiago de Mello. Em São Paulo pude confirmar a sua real existência. Talvez eu leve pela vida toda o peso de não ter conhecido o poeta Manoel de Barros. Não tenho como ir ao estado onde ele mora. Nem tenho os contatos necessários para essa empreitada. Devo dizer também que em São Paulo a vida é cruel e difícil. As pessoas trabalham muito e talvez não vivam com a qualidade necessária. A educação e o transporte público, por exemplo, deixam muito a desejar. Conheci comunidades como Heliópolis. Lá a maior parte do que há para os jovens e as famílias é conquista ardorosa da comunidade e não necessariamente da autoridades ditas competentes. A violência me assusta. Já fui assaltado. A miséria nas ruas também é triste e vergonhosa. Isso é São Paulo.</p>
<blockquote><p><a href="http://aruasetima.files.wordpress.com/2009/07/foto_antiga_da_igreja_de_santana.jpg"><img title="Foto_antiga_da_Igreja_de_Santana" src="http://aruasetima.files.wordpress.com/2009/07/foto_antiga_da_igreja_de_santana.jpg?w=199&#038;h=300&#038;h=300" alt="" width="199" height="300" /></a></p>
<pre>[Itaituba, Pará - Anos 1960]</pre>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">C. L. – Você citou alguns poetas. Quais poetas mais o influenciam?</p>
<p style="text-align:justify;">R. B. – As minhas influências são um paradoxo. Leio e estudo diferentes expressões da poesia e da prosa. Tudo o que é literatura me interessa, na verdade. No meu primeiro livro, Chão de terra batida, identifico algumas influências claras e até inegáveis. O meu modo de ser poeta em Chão de terra batida resulta da escolha por enxergar o cotidiano com paixão e esperança. O meu objetivo foi cantar e encontrar significado nas pequenas coisas da infância. Quis encher a minha infância e de todos os meninos da Amazônia de um significado universal. Os poemas têm caráter narrativo, por isso a maioria deles foi escrito em prosa. Acredito que essa é uma de minhas principais características nesse meu primeiro empreendimento literário. Essa escolha é o resultado do meu envolvimento principalmente com a poesia de Adélia Prado e Manoel de Barros. E penso que também da leitura de Manuel Bandeira e Mário Quintana. O livro sobre nada de Manoel de Barros me deixou enlouquecido. E Oráculo de maio de Adélia Prado me fez receber multas da biblioteca municipal da cidade onde nasci. Atualmente não consigo desgrudar de Libertinagem e Estrela da manhã de Bandeira. Ninguém consegue. Libertinagem é um clássico de todos os tempos da poesia brasileira. Eu vivo os meus dias convivendo com o porquinho-da-índia, com Tereza e Irene Preta. Fale-me de poema mais extraordinário que Vou-me embora pra Pasárgada? Eu recitava aquele poema para todo mundo. Agora, por exemplo, estou labutando com a poesia completa de Mario Quintana. Foi a leitura de uma antologia de Quintana que me fez decidir por publicar primeiro os poemas de Chão de terra batida. Penso que os poetas que citei têm algo em comum, como o lirismo, a simplicidade disfarçada e um jeito prosaico de escrever os versos. O que eles escrevem parece simples, mas logo numa outra leitura encontramos uma variedade de significados e sugestões. Nos últimos dias li alguns versos de Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais de Cora Coralina. Causa fascinação versos como “vive dentro de mim uma cabocla velha de mau-olhado, acocorada ao pé do borralho, olhando para o fogo”. O que mais gostei foi do famoso Poema do milho e, em particular, quando em certa altura do poema, Cora escreve: “Em qualquer parte da terra um homem está plantando, recriando a vida. Recomeçando o mundo”. Quero beber da simplicidade grandiosa desses poetas.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft" src="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/s6302156.jpg?w=184&#038;h=249" alt="" width="184" height="249" /></p>
<p style="text-align:justify;">C. L – E os outros poetas e escritores? De quem você gosta em particular?</p>
<p style="text-align:justify;">R. B. – Passei a minha adolescência inteira lendo Drummond. E Drummond pesa nos ombros, porque é extraordinário. É muito difícil esquivar-se da influência do poeta mineiro. Tenho paixão pelo Drummond de Rosa do povo. Da mesma forma amo o Gullar do Poema sujo e o Thiago de Mello de Faz escuro mas eu canto. A poesia compadecida pela miséria humana me interessa. Escrevi um poema longo de caráter social. Ainda não o publiquei e nem sei quando o tornarei público. Chama-o provisoriamente de Carne hostil. Eu o escrevi em 2005. Não o concluí. Ele surgiu depois de dois anos morando em São Paulo, num período em que eu ia de ônibus para a faculdade. Saía cedo de casa. Ia do extremo da zona sul para o Ipiranga. A vida das pessoas indo para o trabalho foi o que me motivou. Retornei a labutar com o Carne hostil em 2009. Porém, eu o acho um tanto panfletário. Outros escritores causaram tempestades em minha busca literária. Posso citar T.S. Eliot, Federico García Lorca, Rainer Maria Rilke, Bukowski, Tagore, Tristan Corbière, Mário de Sá Carneiro, Fernando Pessoa e Rimbaud. De todos estes que elenquei creio que os que mais leio são T.S. Eliot, Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro e Rilke. Não tenho nenhum receio em dizer que os meus poemas de cabeceira são A terra desolada de Eliot; Tabacaria e Guardador de rebanhos de Pessoa; Divã do Tamarit de García Lorca; Os primeiros poemas de Rilke; Dispersão de Mário de Sá. Também todo o livro Libertinagem de Bandeira. É evidente que são os meus poetas de agora. Outros vão chegar. Leio Folhas de relva de Walt Whitman aos pedaços. Aos pedaços também leio Grande sertão: veredas de Guimarães Rosa, que é verdadeira poesia. Aos pedaços leio Assim falou Zaratustra de Niezsche e o teatro de Samuel Beckett. Este ano li alguns livros do poeta Roberto Piva. Não posso esquecer outros textos que estão sempre comigo como Chove nos campos de Cachoeira de Dalcídio Jurandir. A minha vida seria uma chatice sem essa gente toda. Também guardo algumas fotografias. Elas me ajudam a escrever.</p>
<blockquote><p><a href="http://aruasetima.files.wordpress.com/2009/07/munduruku_9.jpg"><img title="munduruku_9" src="http://aruasetima.files.wordpress.com/2009/07/munduruku_9.jpg?w=300&#038;h=184&#038;h=184" alt="" width="300" height="184" /></a></p>
<pre>[Povo indígena Munduruku]</pre>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">C. L. – Você cita Dalcídio Jurandir na epígrafe de seu livro. Por que todo este carinho por esse escritor?</p>
<p style="text-align:justify;">R. B. – Porque devo muito do que sou à leitura de Chove nos campos de Cachoeira e de outros romances de Dalcídio Jurandir. Se eu fosse para uma ilha deserta levaria esse livro. Talvez você não compreenda, mas Dalcídio conseguiu traduzir em seu primeiro romance muito da alma amazônica, da infância dos meninos da Amazônia. Não posso negar que sou ou fui uma espécie de Alfredo, o personagem principal de Chove nos campos de Cachoeira. Sempre com o desejo árduo de partir, de ir para além dos campos molhados. Dalcídio conta a história de famílias da vila de Cachoeira, que hoje é uma cidade da Ilha do Marajó. Acho que Dalcídio se quisesse poderia trocar o nome de Alfredo pela palavra liberdade. Teria o mesmo sentido. Eu li este livro com dezessete anos, numa viagem de barco para Belém. Foram três dias olhando as margens do rio Amazonas e lendo as páginas de Dalcídio. Aquilo me encantou de tal modo que não sei o que deu em mim. Foi a partir deste fato que me entendi como sujeito amazônico, como parte de uma gente, de uma região do Brasil. O que é a Amazônia? As pessoas não sabem. Não nos compreendem. Não nos conhecem. A Amazônia é a parte esquecida da família. E a literatura amazônica? Quem sabe o que se escreve ali? Dalcídio foi um dos maiores prosadores brasileiros do século XX e poucos críticos e estudiosos o conhecem. Fico com a triste sensação de que a literatura amazônica tende a ficar no ostracismo. Espero que isto mude com o advento da internet, com os avanços tecnológicos dos meios de comunicação. A literatura é a alma de um povo. É um dos modos mais significativos para expressar o que um povo é. Eu creio nisso.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft" src="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/s6302608.jpg?w=187&#038;h=249" alt="" width="187" height="249" />C. L. – O escritor paraense Edilson Pantoja, em um comentário sobre o seu livro Chão de terra batida, afirma que as principais referências de seus poemas são femininas, como a mãe e a avó. Ele também afirma que essas referências femininas parecem constituir figura da própria Amazônia. Como você recebeu este comentário?</p>
<p style="text-align:justify;">R. B. – O Edilson Pantoja é da nova geração de escritores paraenses. Faz pouco tempo ele lançou o romance Albergue Noturno. Não o conheço pessoalmente. Mantenho contato com Edilson através da internet. Pantoja, decerto, fez uma leitura atenta de meu texto. Ele notou algo que tomei consciência após escrever a maioria dos poemas de meu livro. Isto que ele chama de referência feminina. Essa referência se deve em grande parte à minha própria história. Fui criado por minha mãe, pois o meu pai se desgarrou de nós muito cedo. Cresci sem pai e a figura de minha mãe tem um sentido todo especial em minha criação. Minha mãe foi e é para mim um grande exemplo coragem e persistência. Ela é destas mulheres brasileiras tomadas de uma força inacreditável mesmo nos momentos mais difíceis. Minha mãe trabalhou duramente para que eu pudesse estudar. Ela sempre me incentivou a escrever, sempre gostou de me ouvir recitar. Na verdade, a minha mãe cresceu ouvindo poemas de cordel. Era comum em Ananás, Tocantins, cidade onde ela nasceu, a leitura de romances de cordel. Talvez por isso ela admirasse tanto o filho que se dizia poeta. Mas nunca escrevi poemas de cordel. Lembro de certa tarde quando a minha mãe chegou do trabalho com um calhamaço sobre o romantismo. Devorei aquilo no mesmo dia. Admirava os poemas de Fagundes Varela para o filho morto. Acho que daí vem esta referência. A própria floresta amazônica lembra um grande útero onde estão presentes várias formas de vida.</p>
<p style="text-align:justify;">C. L. – A religiosidade é outro tema frequente em seu livro. Em poemas como Auto do Mato, você apresenta a figura de Deus com certo humanismo. Há uma tentativa de humanizar o divino em sua poesia? Outra questão interessante é da referência aos santos, comum na cultura popular brasileira.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft" src="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/s6302744.jpg?w=150&#038;h=101" alt="" width="150" height="101" />R. B. – Como já comentei, eu nasci no interior do Pará, numa região de muitos migrantes vindos do nordeste e sul do Brasil. Todos eles levaram para as fazendas e sítios, às margens da rodovia Transamazônica, elementos típicos de sua religiosidade, fé e crenças. Mas também as cidades ribeirinhas do Tapajós e do Amazonas são marcadamente caracterizadas pelos festejos de seus santos padroeiros, por procissões belíssimas. É o que acontece com o Círio de Nazaré em Belém. Uma vez participei do Círio de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Santarém. Eu fiquei impressionado com as ruas enfeitadas e com a quantidade de pessoas caminhando numa manhã ensolarada. E não vou esquecer por nada neste mundo das procissões de Sant’Ana, padroeira da cidade onde nasci. A procissão acontece em julho. Faz alguns anos que não participo. Em verdade, eu cresci meio às pequenas comunidades eclesiais de base da Amazônia que surgiram na década de 1970. Cresci meio às rezas das capelinhas, meios às novenas dos santos. Por isso, quando retomo o tema da infância em Chão de terra batida, retomo também a religiosidade característica da região de onde vim. Que não é uma religiosidade institucional. Acredito que o modo como o povo vive a sua fé transcende às instituições. Deste modo, quando penso a figura de Deus eu o apresento como um amigo de infância, como um menino. Não tenho pretensões de adentrar questões teológicas ou filosóficas. O meu desejo foi reaver a minha maneira contraditória de significar a vida e a fé. Acho que é isso.</p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft" src="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/s6302621.jpg?w=250&#038;h=188" alt="" width="250" height="188" />C. L. – Você citou que mantêm contato com outros escritores pela internet. Qual a relação de um poeta que se denomina do mato com o este meio de comunicação? Como avalia você avalia os blogs e sites de literatura?</p>
<p style="text-align:justify;">R. B. – Utilizo o computador e a internet com freqüência. Nos fins de 2007 criei um blog, depois o abandonei. Agora disponibilizo alguns textos num blog chamado A rua sétima. A internet é um instrumento muito importante a serviço dos escritores. Assim, os novos poetas podem divulgar poemas e outras criações. Publicar um livro no Brasil, principalmente de poesia, é uma batalha homérica. E nem todo mundo tem condições de arcar com os custos de uma publicação independente. Pela internet tenho conquistado novos leitores e o que escrevo pode chegar a todas as regiões do Brasil. Os sites e portais que publicam textos de novos escritores são relevantes. Posso citar o site Jornal de Poesia, o Recanto das Letras e o Portal Literal. Lembro que os primeiros poemas que li de Lêdo Ivo, por exemplo, eu os encontrei no Jornal de Poesia. Depois passei para os livros. Já li bons textos na rede. Outros nem tanto. O leitor precisar ficar atento. Precisa ser seletivo. Talvez o mal da internet seja o imediatismo. Muitos esquecem a lição de João Cabral, da necessidade de lutar com as palavras e de que a boa poesia e a boa prosa resultam de um trabalho constante de seus autores. Não existe mágica. A literatura de qualidade não cai do céu. Isso não implica que devemos abandonar a sensibilidade. Encontro muitos desabafos em blogs e sites, mas precisamos ir além disso. Uma obra literária não pode ser sustentada somente com comentários sobre a festa do último domingo. É preciso muito mais. Com o computador adquiri novos hábitos. Antes escrevia só em blocos de papel. Agora produzo no próprio computador. Mas quando saio às ruas ou ando de ônibus sempre estou com um pequeno caderno para anotações. Por vezes, nasce de repente uma frase ou um verso. Também há um movimento interessante que é o da poesia virtual, ligada à animação, ao web desing. Preciso experimentar isso.</p>
<p style="text-align:justify;">C. L. – Você termina o poema Apresentação com uma síntese de seu trabalho como poeta. Você escreveu: “O verso é meu ofício”. Como é o seu processo de criação?</p>
<p style="text-align:justify;">R. B. – O meu processo de criação é vagaroso, porém constante. Eu escrevo com certa voracidade, mas misturo os projetos. Não sou muito organizado. Estou tentando priorizar o que vou escrever. Como inicio vários textos num mesmo período, demoro a conclui-los. Já iniciei romances, novelas e contos. E não levei nenhum projeto adiante. Perco com esse processo. Sem esquecer as idéias que surgem na rua ou no meio da noite e não tenho onde anotá-las. Elas também se perdem. Já escrevi vários poemas que estão longe de uma qualidade desejável. Nem tudo que escrevemos deve ser publicado. Sou exigente. Mas escrevo com leveza. Acredito que estou começando a me entender como escritor, como poeta. Aos poucos estou deixando nascer um certo Rudinei Borges, que é a soma de inúmeros livros lidos, a soma de muitas vozes e histórias ouvidas nas ruas. No entanto, o meu maior instrumento de trabalho é a minha memória. Por vezes, tenho a impressão que há uma sina da qual não poderei me livrar, a sina de memorialista. Eu estou impregnado das imagens do passado. Estou impregnado de minha própria infância e dos personagens daquela época. Sim, o verso é meu ofício. A memória é minha sina. Não quero perder isso.</p>
<p style="text-align:justify;">[Cristina Lima é estudante do Curso de Letras da Universidade de São Paulo, USP]</p>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rudineiborges1.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rudineiborges1.wordpress.com/310/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rudineiborges1.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rudineiborges1.wordpress.com/310/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rudineiborges1.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rudineiborges1.wordpress.com/310/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rudineiborges1.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rudineiborges1.wordpress.com/310/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rudineiborges1.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rudineiborges1.wordpress.com/310/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rudineiborges1.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rudineiborges1.wordpress.com/310/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rudineiborges1.wordpress.com/310/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rudineiborges1.wordpress.com/310/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rudineiborges1.wordpress.com&amp;blog=5451544&amp;post=310&amp;subd=rudineiborges1&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/altar-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/ebf6dafc4b3e1d0cb6ad18f5fc494c28?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">rudineiborges</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://aruasetima.files.wordpress.com/2010/12/dsc05412.jpg?w=332&#38;h=186" medium="image" />

		<media:content url="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/adc3a9liapradoerudinei.jpg?w=249" medium="image" />

		<media:content url="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/altar-colagens.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Altar Colagens</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/s6302455.jpg?w=150" medium="image" />

		<media:content url="http://aruasetima.files.wordpress.com/2009/07/itaitubacorrigida_tif.jpg?w=300&#38;h=188" medium="image">
			<media:title type="html">itaitubacorrigida_tif</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/arrebolitaituba.jpg?w=250" medium="image" />

		<media:content url="http://aruasetima.files.wordpress.com/2009/07/foto_antiga_da_igreja_de_santana.jpg?w=199&#38;h=300" medium="image">
			<media:title type="html">Foto_antiga_da_Igreja_de_Santana</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/s6302156.jpg?w=184" medium="image" />

		<media:content url="http://aruasetima.files.wordpress.com/2009/07/munduruku_9.jpg?w=300&#38;h=184" medium="image">
			<media:title type="html">munduruku_9</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/s6302608.jpg?w=187" medium="image" />

		<media:content url="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/s6302744.jpg?w=249" medium="image" />

		<media:content url="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/s6302621.jpg?w=250" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>.</title>
		<link>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/poema/</link>
		<comments>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/poema/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 02:02:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rudinei Borges</dc:creator>
				<category><![CDATA[Chão de terra batida]]></category>
		<category><![CDATA[Itaituba]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Pará]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas do livro Chão de terra batida]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia amazônica]]></category>
		<category><![CDATA[Rudinei Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Texto de Rudinei Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Poema "O cemitério dos bichos" de Rudinei Borges]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://rudineiborges1.wordpress.com/?p=307</guid>
		<description><![CDATA[<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rudineiborges1.wordpress.com&amp;blog=5451544&amp;post=307&amp;subd=rudineiborges1&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/cemiterio-dos-bichos.jpg"></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rudineiborges1.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rudineiborges1.wordpress.com/307/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rudineiborges1.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rudineiborges1.wordpress.com/307/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rudineiborges1.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rudineiborges1.wordpress.com/307/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rudineiborges1.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rudineiborges1.wordpress.com/307/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rudineiborges1.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rudineiborges1.wordpress.com/307/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rudineiborges1.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rudineiborges1.wordpress.com/307/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rudineiborges1.wordpress.com/307/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rudineiborges1.wordpress.com/307/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rudineiborges1.wordpress.com&amp;blog=5451544&amp;post=307&amp;subd=rudineiborges1&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/poema/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/ebf6dafc4b3e1d0cb6ad18f5fc494c28?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">rudineiborges</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Poemas do livro &#8220;Chão de terra batida&#8221;</title>
		<link>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/poemas-do-livro-chao-de-terra-batida/</link>
		<comments>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/poemas-do-livro-chao-de-terra-batida/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 01:58:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rudinei Borges</dc:creator>
				<category><![CDATA[Chão de terra batida]]></category>
		<category><![CDATA[Itaituba]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Nascimento de Maria Fernanda]]></category>
		<category><![CDATA[Os meninos da sétima rua]]></category>
		<category><![CDATA[Pará]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia amazônica]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Rudinei Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Texto de Rudinei Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Escritor Paraense]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura na Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[Novos poetas do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas de Rudinei Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas do livro Chão de terra batida]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia Brasileira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://rudineiborges1.wordpress.com/?p=305</guid>
		<description><![CDATA[  Apresentação Eu nasci no mato, Joana. Sou filho do garimpeiro, seringueiro, pescador: Fulano da Silva.   Joana, eu nasci no mato. Sou filho da lavadeira, dona de casa, devota de Nossa Senhora: Beltrana dos Santos.   Joana, eu nasci &#8230; <a href="http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/poemas-do-livro-chao-de-terra-batida/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rudineiborges1.wordpress.com&amp;blog=5451544&amp;post=305&amp;subd=rudineiborges1&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;"><a href="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/casa-de-farinha.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-330" title="Casa de farinha" src="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/casa-de-farinha.jpg?w=344&#038;h=487" alt="" width="344" height="487" /></a></span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;"> </span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;"><img src="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/cemiterio-dos-bichos.jpg?w=500" alt="" /></span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;">Apresentação</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Eu nasci no mato, Joana.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Sou filho do garimpeiro,</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">seringueiro,</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">pescador:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Fulano da Silva.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Joana, eu nasci no mato.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Sou filho da lavadeira,</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">dona de casa,</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">devota de Nossa Senhora:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Beltrana dos Santos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Joana, eu nasci no mato, Joana.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Sou caboclo poeta,</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">poeta caboclo:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Sicrano da Silva Santos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O verso é meu ofício.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;"> </span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;">Meninos da Sétima Rua</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Tenho saudades do que é breve</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">e vai para além dos barcos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Esvai com a alvorada.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Saudades do menino cálido,</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">que se perdeu nos campos</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">entre o cais e o beco</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">e a tenra ilusão dos fósseis.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Saudades daquele menino:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">amante das ruas,</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">andarilho das tardes.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O meu menino.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Eu mesmo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;">Nascimento de Maria Fernanda</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Não tenho razões</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">para ser</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">maior que o tempo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Nem menor</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">que o instante vago.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Sou apenas o vento</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">e estou onde quero</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">como se não quisesse nada.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;"> </span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;">Nascimento de Thiago Gonçalves</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Tenho que prenunciar o cais,</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">as mulheres grávidas,</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">o pasto e a cerca.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O ombro dos pais</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">quando é tempo de colheita.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A mão das mães</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">diante do fogão à lenha.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Tenho que prenunciar a tarde.<strong></strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;"> </span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;">Catedral de Sant’Ana</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Quem é livre</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">quando calam os sinos</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">e os candelabros?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Quando a manhã parte</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">levando os montes?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Ninguém é livre</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">quando não ama</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">a intensidade da chama.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Só é livre</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">a alma branda</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">quando a paixão doma</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">a carne</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">e as marés lentas</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">tocam cítaras.<strong></strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;"> </span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;">O poeta</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Parece estar mais próximo do outro mundo. Está. Quando dorme a profundeza do sono o poeta rompe a porta das coisas e vai às ilhas que ninguém conhece.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> Vê na flor não o que a flor não é. Vê na flor o singelo encanto e furta das pétalas a luz do dia.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> A lamparina acesa atravessa a madrugada. Junta o alfarrábio e o tinteiro à escrivaninha. Tece metáforas em silêncio como se contasse segredos a ninguém.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Consigo já não pode. Nem com os demais.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Chora aqueles que perderam a amada.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Sente na mão a dor das chagas,</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">porque nele todas as dores se encontram.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Nasce a poesia.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">E o poeta devolve às pétalas</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">a luz do dia</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">tecida em palavras.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong></strong><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>Canção das mães</strong> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Meu filho não é meu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">É do mundo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Ele dorme no</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">meu colo</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">a viagem inteira.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">como se fosse meu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Logo irei soltá-lo</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">na estação.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Para onde irá</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">não sei.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Mas um dia</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">voltará.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">E de novo no</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">meu colo</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">dormirá</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">o sono matinal.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;">Altar</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Mãe rezava o rosário inteiro</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">antes de dormir.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">E eu baixinho repetia</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">as palavras da mãe:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">amar significa olhar para as coisas</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">sem sentir saudades delas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;">O cemitério dos bichos</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O fundo do quintal</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">era o cemitério dos bichos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Quando morria gato e cachorro</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">era lá que a mãe enterrava.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Um dia morreu a nossa cadelinha</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">e não teve jeito: fiz promessa,</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">enxuguei lágrimas e rezei</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">para que Nossa Senhora</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">intercedesse por ela no céu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;"> </span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;">A festa de São Lázaro</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> A tia fazia festa no dia de São Lázaro. Mandava trazer rezadeira a cavalo. Mandava chamar gente da vila. Parente da cidade. Toda a vizinhança chegava animada. Tinha bolo e garapa de cana. O povo cantava. O povo rezava. O povo ria. Um homem contava pela centésima vez como caçou uma onça pintada. Os outros ficavam calados. E uma mulher gorda de peitos caídos tirava uma sacola de dentro da saia e escondia fatias de bolo pra levar pros filhos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;">Casa de farinha</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Deus veio conhecer a casa de fazer farinha do vô. Sorte de Deus que virou amigo do vô. Agora Deus sempre leva farinha pro céu.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;">Auto do mato</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Um dia vi Deus no meio do mato. Ele riu e fez um sinal com a mão para que eu chegasse bem perto dele. Eu deitei no colo de Deus e senti uma saudade forte dum tempo que não sei qual é.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Contei pra Deus que se eu não fosse menino queria ser um boto tucuxi pra ficar o dia todo brincando no rio. Mãe ralhou comigo. Disse que boto tucuxi não brinca o dia todo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Deus me contou que se não fosse Deus queria ser uma aranha pra ficar o dia todo tecendo teias bonitas. Mãe ralhou com Deus. Disse que aranha não tece teias o dia todo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong></strong><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;">Capelinha de Nossa Senhora das Graças</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O padre alemão falava enrolado. As meninas rezavam a Ave-Maria em latim. Dona Benedita no alpendre da casa contemplava um beija-flor namorando a roseira. O menino vestido de anjo subia a ladeira da Passagem Dr. Nelson. O rapaz olhava o semblante da moça morena. O homem carpia o terreiro da capelinha. Uma mulher anunciava o fim do mundo. A outra paparicava o marido que veio do garimpo. Um homem de chapéu dizia que não gostava de árvore. A professora contava a história de Francisco Orellana, o desbravador do Rio Amazonas. O sacristão puxava o sino da catedral de Sant’Ana. O velho coronel imaginava atrocidades. Um menino vendia peixe. O outro pescava tucunaré. Uma menina do povo munduruku fazia colares com penas de arara. Um barco partia para Aveiro. A freira dava bolo para as crianças. Um homem descalço suava e chorava. Carregava uma cruz pesada.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">E eu nem sabia o que era Sexta-feira da Paixão.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong></strong><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;">Encantamento</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Foi uma árvore que me ensinou a falar paralelepípedo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong></strong><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;">Árvore II</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Árvore fala como gente ou é gente que fala como árvore? Não sei. Mas gosto muito de árvore, porque árvore ri de um jeito engraçado.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Acho que árvore tem cócegas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong></strong><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;">Praça do Centenário</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">No norte do Brasil há casas de barro em ruas de barro. Um dia vi Deus empinando pipa.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;">O eldorado</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Quando era menino queria ser dono dum barco que viajasse para todos os lugares do mundo até chegar ao eldorado. E dizia entusiasmado: </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">– Paula será tripulante. Beto capitão. Mãe vigiará dia e noite para alcançarmos o eldorado antes da nau de Pedro Álvares Cabral. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Buscava o eldorado como o paraíso. Mas já havia encontrado.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>Moacir Dias</strong> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O vô tinha jeito de índio. Cabelo de índio. Cor de pele de índio. Mas o vô não sabia o que era oca e aldeia. Acho que o vô era uma mistura de índio com português.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O vô gostava de mato, dos mistérios do mato. Conhecia de longe paca, tatu, caititu, capivara. Já tinha visto onça e gato selvagem. Sabia nome de bicho que ninguém sabe, nome de árvore que ninguém sabe.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">O vô também gostava de carpir, preparar a terra, plantar mandioca. Gostava de ver o mandiocal crescer ao redor da casa de barro. Tempos depois o vô arrancava a raiz, deixava a mandioca virar puba e colocava a massa num forno à lenha. Era assim que o vô fazia farinha.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Dava vontade de ter fome sempre.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong><span style="color:#000000;">A mãe</span></strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A mãe era mulher bonita. Tinha os olhos morenos, a alma morena. Tinha um jeito engraçado de sentir perfume nas coisas, de arrumar a casa, de lavar as roupas, de rezar pros mortos, de rezar pros vivos, de contar histórias do tempo da bisa.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A mãe tinha um jeito de chorar de repente, de amar de repente. Um jeito de arar a terra, de plantar erva cidreira, capim santo, mastruz, hortelã. Um modo de fazer chá pra dor de barriga, xarope pra gripe.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A mãe tinha um jeito de olhar pras coisas que eu não entendia.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><strong>A cacimba</strong> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A vó tinha um quintal grande. Quintal tomado de árvore: pé de ingá, jambo, mangueira: casa de curió, marimbondo, periquito. No fundo do quintal, perto da cerca que dava com a casa da Dona Paula (uma negra risonha e brava), a vó mandou fazer uma cacimba.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Dentro da terra úmida fi cavam escondidas minas quietinhas e a água da cacimba era clara, fria. Deixava todo mundo arrepiado. Mas das minas saiam muçuns, bicho estranho. Eu tinha medo daquilo. Devia ser coisa do outro mundo. Coisa que aparece só em sonho. Coisa encantada. Mas eu não gostava de muçum. Nem pra fazer judiação. Nem pra levar nas aulas de ciências.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">A vó também mandou fazer um jirau e as mulheres do bairro iam lavar as roupas do marido, dos filhos e do patrão. Aparecia roupa de toda parte. Roupa feia e bonita. Roupa rasgada e remendada. Foi lá que a mãe lavou a minha camisa da primeira comunhão. A toalha vermelha de mesa que eu achava bonita – a mãe colocava no natal. Eram tardes inteiras ali. Eu sentava debaixo das árvores e quando a mãe chamava ia com um balde tirar água da cacimba pra colocar numa bacia velha de alumínio.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;">Foi naquela cacimba que eu li pela primeira vez Fernando Pessoa.</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rudineiborges1.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rudineiborges1.wordpress.com/305/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rudineiborges1.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rudineiborges1.wordpress.com/305/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rudineiborges1.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rudineiborges1.wordpress.com/305/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rudineiborges1.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rudineiborges1.wordpress.com/305/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rudineiborges1.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rudineiborges1.wordpress.com/305/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rudineiborges1.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rudineiborges1.wordpress.com/305/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rudineiborges1.wordpress.com/305/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rudineiborges1.wordpress.com/305/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rudineiborges1.wordpress.com&amp;blog=5451544&amp;post=305&amp;subd=rudineiborges1&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/poemas-do-livro-chao-de-terra-batida/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/ebf6dafc4b3e1d0cb6ad18f5fc494c28?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">rudineiborges</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/casa-de-farinha.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Casa de farinha</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/11/cemiterio-dos-bichos.jpg" medium="image" />
	</item>
		<item>
		<title>Crônica de escola</title>
		<link>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/cronica-de-escola/</link>
		<comments>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/cronica-de-escola/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 01:42:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rudinei Borges</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livro "Construindo saberes"]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Texto de Rudinei Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica de Rudinei Borges]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://rudineiborges1.wordpress.com/?p=300</guid>
		<description><![CDATA[ “&#8230; vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba.” (Machado de Assis &#8230; <a href="http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/cronica-de-escola/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rudineiborges1.wordpress.com&amp;blog=5451544&amp;post=300&amp;subd=rudineiborges1&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><strong></strong> <em>“&#8230; vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba.”</em> (Machado de Assis – <em>Conto de escola</em>)</p>
<p style="text-align:justify;">Comecei a estudar só aos sete anos, quando a minha família deixou a Rodovia Cuiabá-Santarém e foi morar na cidade. Em verdade, nesta época eu não entendia o que era escola. Sentia apenas uma admiração engraçada por quem sabia ler. Queria decifrar as palavras pequenas que ficavam embaixo das ilustrações grandes dos livros de conto e fábula. Era o desejo de desvendar mistérios, de descobrir o tesouro enterrado.</p>
<p style="text-align:justify;">Fui matriculado numa escola velha, de parede e portas riscadas e o teto cheio de goteiras. A lousa tinha buraquinhos teimosos. Da cozinha chegava um cheiro bom de mingau de aveia. A escola Raimundo Pereira Brasil levava nome de coronel da borracha, do tempo em que muitos homens na Amazônia esbanjavam riquezas. Muitos ali eram filhos de garimpeiros que iam para o Alto Rio Tapajós tentar a sorte de toda maneira, por vezes sucumbindo às doenças e à violência nos garimpos.</p>
<p style="text-align:justify;"> A professora despertava uma mistura de respeito e paixão quando olhava para os alunos vestidos de camiseta branca e calça em tergal azul-marinho. Ela entrava na sala de aula com um monte de livros, com desenhos de bichos e letras. E nos fazia colorir os desenhos de bichos e letras, depois colocava num mural. Assim, descobri as vogais e consoantes. E vi nascer numa lauda branca do meu primeiro caderno o meu nome que não era de coronel da borracha nem de garimpeiro, mas somente um menino filho de migrantes vindos das terras do Tocantins. Também vi nascer o nome das coisas nas placas das lojas, nas bancas da feira: quiabo, farinha, pirarucu, cará, ingá e arroz. Aprendi a escrever o nome da mãe, da vó, do vô, dos irmãos. O nome dos parentes vivos e mortos. O nome dos parentes que estavam pra nascer. Era uma vontade desmesurada de escrever e soletrar as palavras, uma espécie ingênua de encantaria que beirava o sublime.</p>
<p style="text-align:justify;"> No recreio o mundo girava e o silêncio das aulas perdia-se num monte de cochichos, risos incandescentes e gritos desavisados. Corria-se não sei pra onde. Escondia-se feito mariposa nas árvores. E todos os raios do sol ganhavam uma ternura estranha como se não houvesse sofrimento fora dali. A escola velha parecia novinha em folha. O ânimo reinava mesmo com a diretora brava e as lágrimas quando as notas eram abaixo da média.</p>
<p style="text-align:justify;">Com as palavras também vieram os números e a tabuada e os cálculos infindos: duas mangas mais duas mangas. Quanto custa o suco de cupuaçu? Qual o preço da cocada? Aprendi a contar o troco, a comprar pão na Padaria do Celso. E vi que conseguir dinheiro custava o suor dos homens, a vida dos homens.</p>
<p style="text-align:justify;"> Atrás da escola havia um matagal imenso, casa de passarinho e calango. Lá o vento brincava com os galhos das árvores altas que se aproximavam das nuvens em forma de cavalos valentes. Eu tinha medo. Diziam que naquele matagal morava a Matinta Perera. Conforme a lenda, a Matinta Perera ou Matim-Taperê é uma velha acompanhada de um pássaro, que emite um assobio agudo. Ocasião em que se promete tabaco ou fumo. A velha carrega a sina de &#8220;virar&#8221; Matinta Perera. À noite ela se transforma num ser espantoso e assombra as pessoas.</p>
<p style="text-align:justify;"> O que mais marcou o meu primeiro ano na escola foi o dia em que a professora faltou e um professor substituto veio com um livro grosso e o abriu para que as histórias que moravam lá dentro viessem nos visitar. Vi passear diante de meus olhos a boneca Emília e o saci-pererê; o menino maluquinho; o pavão misterioso; a pequena vendedora de fósforo; o patinho feio; o Visconde de Sabugosa; Pinóquio e Gepeto; Chicó e João Grilo. No fim da aula o professor abriu o livro de Saint-Exupéry e leu a seguinte passagem: “A raposa conversava com o principezinho: A gente só conhece bem as coisas que cativou. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!”</p>
<p style="text-align:justify;">Desde então, também quis criar histórias e labutar com as palavras como labutam os escritores e os poetas. E para isso era preciso, além de imaginação, muito conhecimento. Era preciso conquistar uma minuciosa intimidade com a língua que falamos e com o modo de escrevê-la.</p>
<p style="text-align:justify;">Dentro da pequena sala de aula o mundo grande, o mundão, veio até mim com os seus percalços e armadilhas. E pude, e posso, trilhar o meu desajeitado itinerário, onde planto sementes e tempestades.</p>
<p style="text-align:justify;">Nunca mais vi a minha primeira professora e, hoje, pouco sei de meus colegas. Mas guardo uma fotografia viva e colorida em minhas memórias. É como se estivessem todos lá e eu me orgulhasse dia a dia de tê-los conhecido.</p>
<p style="text-align:justify;">*Publicado no livro &#8220;Construindo saberes&#8221; (In House, 2009)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rudineiborges1.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rudineiborges1.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rudineiborges1.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rudineiborges1.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rudineiborges1.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rudineiborges1.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rudineiborges1.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rudineiborges1.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rudineiborges1.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rudineiborges1.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rudineiborges1.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rudineiborges1.wordpress.com/300/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rudineiborges1.wordpress.com/300/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rudineiborges1.wordpress.com/300/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rudineiborges1.wordpress.com&amp;blog=5451544&amp;post=300&amp;subd=rudineiborges1&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/11/25/cronica-de-escola/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/ebf6dafc4b3e1d0cb6ad18f5fc494c28?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">rudineiborges</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Carta para Rosalva Borges</title>
		<link>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/09/19/chao-de-terra-batida-lancamento-dia-7-de-novembro-2009/</link>
		<comments>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/09/19/chao-de-terra-batida-lancamento-dia-7-de-novembro-2009/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 03:07:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rudinei Borges</dc:creator>
				<category><![CDATA[Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia amazônica]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Rudinei Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Pará]]></category>
		<category><![CDATA[Itaituba]]></category>
		<category><![CDATA[Os meninos da sétima rua]]></category>
		<category><![CDATA[Os meninos do Rio Tapacurá]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Texto de Rudinei Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Chão de terra batida]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia de Rudinei Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Chão de terra batida poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Chão]]></category>
		<category><![CDATA[Terra batida]]></category>
		<category><![CDATA[Terra]]></category>
		<category><![CDATA[Novos Poetas Brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia sobre a Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[Memórias paraenses]]></category>
		<category><![CDATA[Memórias amazônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Memórias da Infância na Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[Sidnei Ferreira de Vares]]></category>
		<category><![CDATA[Dalcídio Jurandir]]></category>
		<category><![CDATA[Edilson Pantoja]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Alberto Rodrigues Pereira]]></category>
		<category><![CDATA[Felipe Garcia de Medeiros]]></category>
		<category><![CDATA[Chão de terra batida livro]]></category>
		<category><![CDATA[Imagem da capa do livro Chão de terra batida de Rudinei Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Rosalva Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Carta de Rudinei Borges]]></category>
		<category><![CDATA[O escritor Rudinei Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Cartas da Amazônia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://rudineiborges1.wordpress.com/?p=280</guid>
		<description><![CDATA[ Tenho guardado todo o mistério, minha mãe. Por um instante sentei no chão da sala. Tudo está escuro e silencioso. São 3 horas da madrugada e somente eu estou acordado, como costumava fazer em nossa casa em Itaituba. Na nossa &#8230; <a href="http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/09/19/chao-de-terra-batida-lancamento-dia-7-de-novembro-2009/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rudineiborges1.wordpress.com&amp;blog=5451544&amp;post=280&amp;subd=rudineiborges1&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:justify;"><span style="color:#000080;"><span style="color:#000000;"> Tenho guardado todo o mistério, minha mãe. Por um instante sentei no chão da sala. Tudo está escuro e silencioso. São 3 horas da madrugada e somente eu estou acordado, como costumava fazer em nossa casa em Itaituba. Na nossa pequena casa no beco da Sétima Rua eu inventava poetas. Tudo o que é belo e sagrado está agora diante de mim como num álbum de fotografia: o semblante da vó; a água fria da cacimba; o cheiro do barro; os jambeiros e mangueiras; os buritizais; as notícias de Ananás; os parentes em Manaus; a capelinha de Nossa Senhora das Graças; a estrada enlameada da vicinal; os festejos de Sant’Ana; a mata e o rio Tapajós; o cemitério Santo Antônio; o Colégio Isaac Newton; a prefeitura velha. Tudo o que eu havia guardado na arca do esquecimento apareceu num cheiro forte de jambu e copaíba. Numa cantoria breve. São as mulheres na procissão, a minha gente amazônica, o meu povo moreno. </span></p>
<div>
<span style="color:#000000;">Estão todos aqui. Depois que passei quase três dias dentro de um ônibus numa viagem de São Paulo para o Pará todos os encantados da mata vieram morar nos meus olhos. E mesmo que eu queira não posso negar que qualquer coisa árdua acontece quando chego no cais, quando os barcos vão para além das ilhas ou quando atracam. São os mesmos barcos. Talvez seja isto que me faça retornar a este tempo que não foi: a infância. Esta fortaleza longínqua e próxima sob os meus pés, no chão destas casas, onde servem suco de cupuaçu em copos de alumínio.</span></div>
<div>
<span style="color:#000000;">Eis aqui o livro que neguei, as palavras que deixei escapar. O menino do beco trouxe as suas memórias. E um dia talvez outros meninos vão lê-las sentados no trapiche, quando for inverno e só restar o aconchego da rede. Reuni uma mistura de poema, conto e crônica. Resgatei relatos que escrevi entre treze e dezenove anos. Tempo em que ainda morava em Itaituba. Todas as cores, ritmos e cheiros são locais.</span></div>
<div>
<span style="color:#000000;">Desejo que a senhora fique orgulhosa de cada palavra, de cada imagem. É a alegria pouca que posso oferecer.</span></div>
<div><span style="color:#000000;">Com amor,</span></div>
<div><span style="color:#000000;">Rudinei Borges.</span></div>
<div><span style="color:#000080;"><span style="color:#000000;"> </span></span></div>
<div><span style="color:#000000;">[Carta de abertura do livro <em>Chão de terra batida</em>]</span></div>
<p></span></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rudineiborges1.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rudineiborges1.wordpress.com/280/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rudineiborges1.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rudineiborges1.wordpress.com/280/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rudineiborges1.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rudineiborges1.wordpress.com/280/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rudineiborges1.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rudineiborges1.wordpress.com/280/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rudineiborges1.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rudineiborges1.wordpress.com/280/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rudineiborges1.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rudineiborges1.wordpress.com/280/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rudineiborges1.wordpress.com/280/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rudineiborges1.wordpress.com/280/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rudineiborges1.wordpress.com&amp;blog=5451544&amp;post=280&amp;subd=rudineiborges1&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/09/19/chao-de-terra-batida-lancamento-dia-7-de-novembro-2009/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/ebf6dafc4b3e1d0cb6ad18f5fc494c28?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">rudineiborges</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Retrato de Rudinei Borges</title>
		<link>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/07/22/retrato-de-rudinei-borges/</link>
		<comments>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/07/22/retrato-de-rudinei-borges/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 22 Jul 2009 06:20:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rudinei Borges</dc:creator>
				<category><![CDATA[Itaituba]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Pará]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia amazônica]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Rudinei Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Texto de Rudinei Borges]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://rudineiborges1.wordpress.com/?p=264</guid>
		<description><![CDATA[Sou um poeta, um escritor do mato, mesmo amando a inteireza e a loucura das grandes metrópoles, mesmo que eu tenha armado a minha oca em São Paulo. Eu nasci em Itaituba, no interior do Pará. É uma cidade localizada &#8230; <a href="http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/07/22/retrato-de-rudinei-borges/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rudineiborges1.wordpress.com&amp;blog=5451544&amp;post=264&amp;subd=rudineiborges1&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<div id="attachment_265" class="wp-caption alignleft" style="width: 190px"><img class="size-medium wp-image-265 " title="Adélia Prado e Rudinei" src="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/07/adelia-prado-e-rudinei.jpg?w=180&#038;h=142" alt="Rudinei Borges e a poeta Adélia Prado" width="180" height="142" /><p class="wp-caption-text">Rudinei Borges e a poeta Adélia Prado</p></div>
<p style="text-align:justify;">Sou um poeta, um escritor do mato, mesmo amando a inteireza e a loucura das grandes metrópoles, mesmo que eu tenha armado a minha oca em São Paulo. Eu nasci em Itaituba, no interior do Pará. É uma cidade localizada às margens do Rio Tapajós, afluente do Amazonas. Talvez o mais bonito. Sou filho de migrantes que mudaram para as terras paraenses na década de 1970, com a abertura da Rodovia Transamazônica e Santarém-Cuiabá. Vivi parte de minhas infâncias (eu tive várias) em chácaras e sítios nessas rodovias. Por isso, as imagens antigas que povoam a minha memória são uma aglomeração de vacas, poeira, lama, estradas, caminhões, barcos, barro, casas de chão de terra batida, rios, igarapés, árvores, rezas, capelinhas, quintais e rostos suados.</p>
</blockquote>
<p style="text-align:justify;">Com seis anos, quase completando sete, fui morar na cidade e só nessa época comecei a estudar num colégio público, Coronel Raimundo Pereira Brasil. Era uma escola pequena de nome grande, nome de coronel do tempo em que borracha e seringueira valiam ouro. A escola foi o desvendar de um mistério. Lembro as primeiras letras ensinadas pela mãe. A professora contava e recontava contos de fada. E hoje ouço gente que fala mal de Cinderela e Patinho feio. Eu gostava de ouvir tudo aquilo. Foi essencial para a minha formação. Como foi essencial o medo que eu tinha de ir até o matagal atrás da sala de aula, onde diziam que morava a Matinta Perera.</p>
<p style="text-align:justify;">Anos depois recebi uma bolsa do Colégio Isaac Newton. Lá concluí o Ensino Médio e fiz peripécias como performances com poemas, teatro e exposição de poesias.</p>
<p style="text-align:justify;">Comecei a inventar de escrever aos treze anos, com a crença de que tudo o que eu escrevia era bárbaro e empolgante. Sempre um pouco de prosa e poesia. A minha mãe trouxe os poetas românticos, os professores os modernos. Foram vários instantes de deslumbramento e as influências estão em meus escritos: Mário e Oswald de Andrade, Drummond, Manuel Bandeira e Ferreira Gullar. A leitura de <em>Chove nos campos de Cachoeira </em>de Dalcídio Jurandir talvez tenha sido um dos maiores acontecimentos em minha jovem vida literária. Foi com Dalcídio que descobri um amor, até então não muito claro, pela Amazônia, pela gente amazônica. Este olhar para o espelho, o reconhecimento das próprias raízes, foi imprescindível. Eu tenho uma aldeia. E mesmo distante, é de lá que vem esta força que me sustenta (força pouca, força grande).</p>
<p style="text-align:justify;">Morei um ano em Santarém e depois mudei para São Paulo, capital, onde me formei em Filosofia. Hoje estou no mestrado em Educação na Universidade de São Paulo – USP. Vivo entregue a vários projetos literários e escrevo e escrevo. Pouco foi publicado. Sou co-autor de dois livros pela editora <em>In House</em>: <em>Educar e aprender</em> e <em>Bate-papo no gramado</em>. Atualmente preparo para publicação independente o livro <em>Chão de terra batida</em>, em que reúno narrativas curtas sobre o tema da infância na floresta, na Amazônia.</p>
<p style="text-align:justify;">A minha literatura habita entre o abrupto e o singelo &#8211; pelo menos é essa a crítica que posso fazer agora. De um lado há a ternura do cotidiano, a sagacidade do homem e sua terra. De outro a angústia, a revolta, a pesquisa em torno da existência e da solidão humana. É quase como se morassem em mim dois escritores. De um lado uma procura pela filosofia do encontro de Martin Buber e a obra de Adélia Pardo, Manuel Bandeira, Mário Quintana e Manoel de Barros. De outro Sartre, Beckett, Camus, Kafka, Hilda Hilst, Bergman e Milton Hatoum me atormentam.</p>
<p style="text-align:justify;">Acho que sou um escritor em construção.</p>
<p style="text-align:justify;">(por Rudinei Borges &#8211; 22 de julho 2009)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rudineiborges1.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rudineiborges1.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rudineiborges1.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rudineiborges1.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rudineiborges1.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rudineiborges1.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rudineiborges1.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rudineiborges1.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rudineiborges1.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rudineiborges1.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rudineiborges1.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rudineiborges1.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rudineiborges1.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rudineiborges1.wordpress.com/264/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rudineiborges1.wordpress.com&amp;blog=5451544&amp;post=264&amp;subd=rudineiborges1&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/07/22/retrato-de-rudinei-borges/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/ebf6dafc4b3e1d0cb6ad18f5fc494c28?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">rudineiborges</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/07/adelia-prado-e-rudinei.jpg?w=300" medium="image">
			<media:title type="html">Adélia Prado e Rudinei</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Rudinei Borges e o poeta Ferreira Gullar</title>
		<link>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/07/02/memorial-dos-meninos/</link>
		<comments>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/07/02/memorial-dos-meninos/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 02 Jul 2009 03:56:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rudinei Borges</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ferreira Gullar]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia amazônica]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa]]></category>
		<category><![CDATA[Rudinei Borges]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://rudineiborges1.wordpress.com/?p=249</guid>
		<description><![CDATA[<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rudineiborges1.wordpress.com&amp;blog=5451544&amp;post=249&amp;subd=rudineiborges1&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_338" class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><a href="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/07/s63027441.jpg"><img class="size-full wp-image-338" title="s6302744" src="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/07/s63027441.jpg?w=400&#038;h=276" alt="" width="400" height="276" /></a><p class="wp-caption-text">O Poeta Ferreira Gullar e Rudinei Borges - Santo André 2009</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/rudineiborges1.wordpress.com/249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/rudineiborges1.wordpress.com/249/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/rudineiborges1.wordpress.com/249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/rudineiborges1.wordpress.com/249/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/rudineiborges1.wordpress.com/249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/rudineiborges1.wordpress.com/249/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/rudineiborges1.wordpress.com/249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/rudineiborges1.wordpress.com/249/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/rudineiborges1.wordpress.com/249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/rudineiborges1.wordpress.com/249/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/rudineiborges1.wordpress.com/249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/rudineiborges1.wordpress.com/249/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/rudineiborges1.wordpress.com/249/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/rudineiborges1.wordpress.com/249/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=rudineiborges1.wordpress.com&amp;blog=5451544&amp;post=249&amp;subd=rudineiborges1&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://rudineiborges1.wordpress.com/2009/07/02/memorial-dos-meninos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/ebf6dafc4b3e1d0cb6ad18f5fc494c28?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">rudineiborges</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://rudineiborges1.files.wordpress.com/2009/07/s63027441.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">s6302744</media:title>
		</media:content>
	</item>
	</channel>
</rss>
